25 de setembro de 2010

ASCLÉPIO, O DEUS DA MEDICINA



                                             Duas reproduções diferentes de Asclépio

ASCLEPIUS, THE GOD OF MEDICINE

[ELVIO ARMANDO TUOTO: Autor deste artigo]
[NÃO AUTORIZO CÓPIA]
Copyright © Elvio Armando Tuoto, 2010-2013

Asclépio é o deus da medicina, da cura, do rejuvenescimento e dos médicos, na mitologia grega. Era chamado de Esculápio pelos romanos. Na Grécia, também era chamado de Ofiúco.

Era um semideus e não fazia parte do panteão dos poderosos deuses do Monte Olimpo, presidido por Zeus, porém se tornou uma das divindades mais populares do mundo antigo

Asclépio era filho do deus Apolo e da mortal Corônis. Apolo, o pai de Asclépio, é considerado o patriarca ou fundador da ciência médica, sendo o deus da poesia, da música, da eloquência, das artes e da medicina.

Apolo teria ordenado o assassinato da esposa Corônis devido à infidelidade da mesma, porém salvou seu filho Asclépio ainda no ventre materno, praticando uma operação cesariana antes da mãe ser queimada na pira. O centauro Quíron, mestre nas artes médicas, foi encarregado da educação de Asclépio, o qual demonstrou grande aptidão aos estudos de medicina.

Asclépio atingiu um elevado grau de conhecimento na arte de curar, utilizando ervas e procedimentos cirúrgicos, chegando inclusive a ressuscitar vários mortos.

Em Epidauro, a família de Asclépio era constituída pela esposa, Epíone, as filhas, deusas menores da saúde e auxiliares de Asclépio, Higeia ou Hígia ("higiene"), Iaso ("medicina"), Akeso ("cura"), Aegle ou Aglaia ("brilho saudável") e Panacea ou Panaceia ("o remédio universal ou a cura para todos os males"). Os quatro filhos homens de Asclépio eram Podalírio e Macaon (ou Macaão), deuses protetores dos cirurgiões e dos médicos, e também guerreiros, tendo participado da Guerra de Troia; Telésforo, deus da convalescença, o qual dedicou sua vida a servir seu pai ; e Arato, heroi grego que libertou Sicion.

O deus da medicina foi assassinado por um raio lançado por Zeus, descontente com os seus poderes excessivos, os quais ultrajavam os deuses maiores.

Após sua morte, Asclépio tornou-se uma constelação nos céus do Olimpo denominada Ophiuchus (Ofiúco) ou Serpentário, em referência às simbólicas serpentes da arte médica.

O culto a Asclépio se iniciou em Trica, na Tessália, difundindo-se para Gerenia, em Messenia, e a Epidauro, no Peloponeso. Em Epidauro localizou-se o seu templo ou Asklepeion mais célebre, de onde se propagaria o divino culto a toda a Grécia e, mais tarde, pela Europa, pelo norte da África e pelo Oriente Próximo.

Os templos em homenagem a Asclépio localizavam-se em bosques com fontes naturais de água, onde se erguiam altares, um estádio, um teatro e os alojamentos dos enfermos (precursores dos hospitais).

O ritual dedicado a Asclépio consistia em purificações, penitências, banhos e jejuns, com oferecimento de ouro e ex-votos pelos enfermos curados. A medicina exercida nos templos consistia de práticas naturoterápicas, sacrifício de animais e a chamada "incubação", o rito final da cura, onde o paciente passava a noite no interior do templo e, durante o sonho, seria curado pela divindade ou receberia a revelação do tratamento necessário. Nas proximidades dos templos erguiam-se as colunas de Tolos, em mármore, onde eram gravados os nomes dos pacientes beneficiados pelo tratamento.

Refere-se que a estátua de Asclépio no templo de Epidauro, em ouro e prata (ou marfim), tinha cerca de seis metros de altura e representava Asclépio sentado em um trono, ostentando, numa das mãos, o cetro ou cajado e na outra, a taça. Aos seus pés, enrolava-le uma serpente. Outra versão informa que a divindade médica pousava sua mão direita sobre uma serpente, enquanto que com a esquerda segurava um cajado. Tinha um cão ao seu lado.

A escola médico-mística de culto ao deus Asclépio em Epidauro foi a precursora do avanço científico da medicina ocorrido posteriormente.

Os praticantes do culto à Asclépio chamavam-se Asclepíades, sendo que Hipócrates era descendente dos Asclepíades da ilha de Cós. O filósofo Aristóteles foi um Asclepíade e era descendente de Nicômaco, filho de Macaon (filho de Asclépio).

Chamado de Esculápio no império romano, o deus da medicina foi representado em moedas cunhadas por 46 imperadores e imperatrizes de Roma.

Os animais consagrados a Asclépio eram a cabra, em que se amamentou, o cão, que o descobriu no monte Titeion, o galo, imagem da vigilância e a serpente, símbolo da arte médica. Pinhas e coroas de louros (loureiros) também eram dedicadas ao deus da medicina.

As diversas imagens que reproduzem Asclépio mostram um homem adulto, com vasta cabeleira e barba profusa, com expressão facial serena e circunspecta. Vestindo um manto branco e empunhando o bastão do viajante, no qual se enrola a clássica serpente do culto médico. Está frequentemente acompanhado pelo filho Telesforo, ainda menino, e por símbolos das suas virtudes, o cetro, a taça, um rolo de pergaminho e o ônfalo délfico.

A simbologia de Asclépio/Esculápio permanece viva até os nossos dias na cultura ocidental./eat


COMO CITAR ESTE ARTIGO / HOW TO CITE THIS ARTICLE:
Tuoto, E. A. Asclépio, o Deus da Medicina. In História da Medicina by Dr Elvio A Tuoto (Internet). Brasil, 2010. [Data da consulta]. Disponível em:
http://historyofmedicine.blogspot.com/2010/09/asclepio-o-deus-da-medicina.html

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REFERÊNCIAS:
1- Vasconcelos I (1964): Asclépio Historiador. Rio de Janeiro, Edit. Aurora.
2- Hart DG (1965): Asclepius, God of Medicine. Can Med Assoc J. 30; 92(5): 232–236./eat

Copyright © Elvio Armando Tuoto, 2010-2013

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[Last updated: 24 November 2012]
[First published: 25 September 2010]
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Um comentário:

Francisco Doña disse...

Una magnífica y muy recomendable entrada, Dr. Tuoto.

Gracias, y mi más cordial saludo.