29 de junho de 2013

OS VÔOS PARA O TRATAMENTO DA COQUELUCHE

               
Bacilos de Bordetella pertussis (em verde) alojados entre cílios do aparelho respiratório


THE FLIGHTS FOR THE TREATMENT OF WHOOPING COUGH


[ELVIO ARMANDO TUOTO: Autor deste artigo]
[NÃO AUTORIZO CÓPIA]
Copyright © Elvio Armando Tuoto, 2013


A coqueluche é uma enfermidade infecciosa aguda da laringe, traqueia e brônquios causada pelas bactérias Gram-negativas Bordetella pertussis e Bordetella parapertussis (foto acima).

A coqueluche é altamente contagiosa, afeta em geral as crianças e é potencialmente fatal em pacientes abaixo dos dois anos de idade.

Caracteriza-se por episódios recorrentes de tosse espasmódica, os quais se repetem até surgir dispneia. Esse ciclo se encerra em um ruidoso estridor inspiratório, causado pelo espasmo da laringe

A coqueluche também é denominada "pertússis", "tosse convulsa", "tosse comprida" (termo popular) e "tosse ferina" (termo em desuso).

O termo "coqueluche" origina-se do idioma francês através do latim cuculles, capuz que os pacientes com coqueluche usavam no passado.

O tratamento da coqueluche sempre foi influenciado pelo empirismo, sendo que uma das tentativas terapêuticas mais curiosas foram os chamados "vôos de coqueluche".

Os "vôos de coqueluche" passaram a ser realizados a partir do final da década de 1920 por aviadores franceses e alemães. Acreditava-se que submetendo os portadores de coqueluche a uma variação da pressão atmosférica, seriam criadas condições desfavoráveis ao desenvolvimento do bacilo da pertussis, pois fora constatado que o seu cultivo era mais viável na presença de gás carbônico.

Os vôos deveriam ser realizados acima de mil metros de altitude, geralmente a três mil metros. Referia-se que o efeito sedativo sobre a tosse convulsa era praticamente imediato, porém não-duradouro.

Em 1956, o pediatra brasileiro Leonel Gonzaga descreveu a experiência de um médico e aviador francês na década de 1920 e seus dois filhos com coqueluche. O médico francês teria levado um dos filhos com coqueluche para voar em sua companhia e observara uma melhora significativa dos sintomas no filho que voou em relação ao outro filho que não voou. [3]

Na década de 1940, uma das pioneiras da aviação feminina no Brasil, Ada Leda Rogato (1910-1986), realizou mais de mil "vôos de coqueluche" nos céus brasileiros, transportando crianças em sua maioria. Os aviões da Força Aérea Brasileira também realizaram tais vôos na década de 1950, tendo utilizado os célebres aviões B-17, chamados de "Fortaleza Voadora", da Boeing./eat

REFERÊNCIAS:
1- Polisuk J, Goldfeld S (1998): Pequeno Dicionário de Termos Médicos. Rio de Janeiro, Atheneu, 4ª ed.
2- Ledermann W (2004). Breve historia de la Bordetella pertussis, una elusiva damisela. Revista Chilena de Infectologia. 23(3); 241-246. 
3- Gonzaga, L. (1956). Ontem e hoje na prática pediátrica. Rio de Janeiro, Jornal do Brasil.
4- Stancik MA (2010): Coqueluche: interpretações, controvérsias e terapêuticas, 1850-1950. Eä - Revista en Salud, Sociedad, Ciencia y Tecnología. 2(1); 1-28./eat


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Tuoto, E. A. "  Os Vôos para o Tratamento da Coqueluche." In: História da Medicina by Dr Elvio A Tuoto (Internet). Brasil, 2013. Consulta em [dia, mês, ano]. Disponível em:
http://historyofmedicine.blogspot.com.br/2013/06/os-voos-para-o-tratamento-da-coqueluche.html

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3 comentários:

Tatiana Louise Gazda disse...

Que bárbaro ter encontrado este blog comentando a prática dos vôos! Algumas vezes em que comentei por aí que havia voado com meu pai (então médico do HC) sobre Curitiba, em 1983, para tratamento de tosse ("coqueluche"), escutei (ainda escuto) muitas risadas sobre a veracidade e coerência da referida prescrição médica!

Sandra Carmo disse...

É difícil de acredita mais é verdade eu fui testemunha desta época.

Sandra Carmo disse...

Minha filha à 40 anos atraz foi acometida por coqueluche .E guando digo a prescrição ,as pessoas zombam,o avião de carga búfalo fazia esse vôo.